Arquitetura com impacto social: aprendizados dos EU Mies Awards Young Talent 2025

Entre os dias 19 e 23 de junho de 2025, durante a 19ª Bienal de Veneza, foram premiados no Palazzo Michiel os vencedores da categoria Young Talent dos EU Mies Awards 2025. Essa premiação, voltada a recém-graduados, destacou projetos comprometidos com resiliência urbana, reutilização temporária, engajamento comunitário e sustentabilidade ambiental — traços essenciais de uma arquitetura voltada ao impacto social .

Essas iniciativas ecoam a urgência do design socialmente responsável e colocam em pauta uma questão importante: como escritórios brasileiros experientes podem apropriar esses aprendizados para intensificar sua atuação transformadora?

Projetos vencedores: síntese de práticas engajadas

Os premiados mostraram vocações distintas, mas convergentes:

  • Brave New Axis (Grécia): revitalização urbana em Atenas, com reconfiguração de espaços históricos para conexão social e mobilidade.
  • Forest & Phoenix (Alemanha): criação de infraestruturas híbridas para prevenção de incêndios florestais, que integram ecologia e espaços públicos.
  • Hotel Interim (Alemanha): uso temporário de um hotel condenado como centro de aprendizado, aproximando reutilização, economia circular e educação.
  • Poolside Politics (Reino Unido) – prêmio Young Talent Open: revalorização de uma piscina municipal abandonada em Marselha por meio de coletividade e política radical.

Esses projetos refletem uma arquitetura imersa em questões reais: fragmentação urbana, emergência climática, construção colaborativa, potencialização de lugares abandonados.

 

Planta/diagrama do projeto Forest & Phoenix, centrado em prevenção de incêndios e infraestrutura verde.

Reprodução / Foto: archdaily

Temas que reverberam no contexto brasileiro

Para arquitetos no Brasil, essas narrativas trazem lições claras e estratégicas:

Reconfiguração urbana com escuta ativa

Em Brave New Axis, a obra parte da estrutura histórica de Atenas e propõe novas conexões — muitas vezes perdidas. Isso ilustra como podemos estabelecer diagnósticos espaciais refinados antes de propor intervenções, especialmente em centros históricos ou periferias consolidadas.

Infraestrutura com múltiplas camadas

Forest & Phoenix demonstra que prevenção de incêndio pode ser e gerar convivência, lazer e educação. No Brasil, onde incêndios e desastres ambientais são recorrentes, a arquitetura pode incorporar infraestruturas naturais e públicas, como parques que protegem e conectam comunidades.

Reuso com propósito pedagógico e social

Hotel Interim aposta no uso temporário de espaços em transição. Escritórios brasileiros podem pensar em intervenções em edifícios ociosos, transformando estruturas para abrigar cursos, ateliês ou residências de artistas — ativando o entorno e evitando o descarte urbano.

Memória coletiva

Poolside Politics revela que espaços esquecidos escondem significado cultural. No Brasil, há centenas de locais abandonados, de piscinas comunitárias a bibliotecas — que podem ser resgatados como nodos de identidade.

Plantas e maquetes expostas na mostra ‘Intelligens. Talent. EUmies Awards Young Talent 2025'.

Reprodução / Foto: Europian Comission

 

Etapas básicas para escritórios brasileiros:

  1. Foque em territórios sensíveis, que carregam memória, fragilidade social ou potencial de reuso.
  2. Adote processos participativos, como — mesmo em obras privadas — ouvir vizinhos, grupos culturais ou usuários potenciais.
  3. Promova prototipagem real, com intervenções temporárias que testem conceito antes de licitação.
  4. Integre valores sustentáveis, como uso consciente da água, economia de materiais e energia solar, pensando além da fachada.

Essas ações, alinhadas ao que os EU Mies Awards valorizam, permitem criar projetos que transcendam forma e entrem no terreno da inovação, da justiça e da poética social.

Por que isso importa agora?

Dominar repertórios técnicos e buscar repertórios sociais e criativos é o que entrega o que o futuro demanda. Em um Brasil que precisa de infraestrutura urbana sensível, a arquitetura com impacto social é também estratégia de mercado e reputação.

 

Conclusão

A edição 2025 do EU Mies Young Talent ressalta que a geração que chega já está imersa nas complexidades do mundo real — e que a arquitetura do futuro é capaz de transformar. Para escritórios brasileiros, há um caminho claro: estruturar repertórios técnicos e expandir repertórios de convivência, reuso e colaboração.

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Até a próxima,

Equipe DOit!